UberChina perde a disputa

Sem comentários Rudá Sudário

A recente venda da UberChina para sua rival, Didi Chuxing, mostra que os negócios no país mais populoso do mundo não são fáceis para empresas estrangeiras.

A Uber iniciou suas atividades na China três anos atrás, quando Kalanick (fundador e CEO) acompanhado de executivos da empresa visitaram o país para criar formas de evitar que a Uber tivesse o mesmo destino de outras grandes empresas de tecnologia que falharam no mercado chinês, como o Facebook, o Google e a Amazon, e pudesse usufruir do sucesso em um mercado de 1,3 bilhões de pessoas.
A viagem, porém, não trouxe os frutos esperados. Como a Uber descobriu, ter o domínio de outros mercados não é garantia de sucesso na China. Uma dificuldade apontada é a de encontrar trabalhadores com as habilidades certas, outra, a notável preferência dos chineses por empresas locais. Por esse motivo, é comum empresas estrangeiras se associarem com empresas locais. No caso da UberChina, uma fatia foi vendida para o site de buscas Baidu, o que não foi suficiente para enfrentar a concorrência com a Didi (que possui investimentos de grandes empresas chinesas como a Tencent e o Alibaba, além de boas relações com os governos e imprensa locais).

Fora as dificuldades mercadológicas, a UberChina foi impactada pela publicação do documento regulatório para os serviços de mobilidade sob demanda, no dia 28 de Julho, pelo Conselho de Estado chinês. O que poderia ser uma boa notícia para a empresa, por legalizar suas atividades, mostrou na verdade uma série de desvantagens.

Uma das regras implantadas que mais impactou o modelo de expansão da UberChina foi a proibição de dumping, estratégia adotada pela empresa para ganhar market share (e que custava US$1 bilhão por ano). A Didi, com uma base de clientes muito maior, passou a ter vantagem na competição de preços. Outras regras implantadas foram: obrigação de pagar impostos e segurar os passageiros, obter licenças municipais e nacionais em cada local em que a empresa atuar, autonomia para os governos locais emitir licenças para os motoristas determinando quem está elegível para dirigir e quais carros podem ser dirigidos etc. O Vice-Ministro do Transporte Liu Xiaoming disse que a China era o primeiro país a regular nacionalmente os serviços de mobilidade sob demanda online, que são proibidos em muitos países, incluindo Alemanha e Japão.

A China mostra que está caminhando para melhorar a economia de mercado e tornar seu território mais amigável para empresas estrangeiras. Contudo, elas precisarão aprender a jogar conforme suas regras. Enquanto não aprendem, suas concorrentes locais vão continuar dominando todos os negócios inovadores criados por elas.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica