Tratamento de choque na Argentina

Sem comentários Rudá Sudário

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, é o terceiro líder não-peronista a governar o país desde o fim da ditadura militar que acabou em 1983. Vale lembrar que os outros 2 (Raúl Alfonsín e Fernando de la Rúa) não conseguiram terminar seus mandatos, como já ocorreu outras vezes na pobre América Latina. Isso mostra a ameaça que ele enfrenta caso não consiga recuperar rapidamente a situação da terceira maior economia da região.

Logo que assumiu a presidência, Macri começou seu tratamento de choque na economia. Liberou o controle sobre o câmbio fazendo o dólar disparar em relação ao peso e consequentemente aumentando a inflação. Com isso extinguiu o mercado negro, de forma que ainda não se sabe quanto dessa inflação e desvalorização foi real e quanto foi apenas o ajuste oficial do que já existia no mercado. Também cortou os impostos sobre exportação de grãos (trigo, milho…) e carne, e reduziu o da soja, produto que a Argentina é o terceiro maior exportador do mundo. Junto com o câmbio barato, essas políticas tendem a turbinar a balança de pagamentos do país, aumentando o caixa do BC e contribuindo para a política de câmbio livre.

Agora a Argentina entra no último degrau para finalizar a disputa em torno do “default” da dívida ocorrido no final de 2001. Com o apoio da oposição peronista Frente para a Vitória, que possuem 42 das 72 cadeiras no senado (o partido de Macri, Cambiemos, possui apenas 20 cadeiras), foi convertida em lei o acordo para o pagamento de U$ 4,65 bilhões aos fundos de hedge que processaram o Estado argentino em Nova York. Agora Macri consegue as ferramentas necessárias para voltar ao mercado financeiro internacional após 15 anos no limbo. “A questão que devemos nos perguntar é: se nós conseguimos fazer isso em 3 meses, porque demorou 15 anos?” – Prat-Gay, Ministro da Fazenda e Finanças Públicas da Nação Argentina.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica