Retrospectiva TE 2016

Sem comentários Rudá Sudário

2016 está acabando. Uma retrospectiva sensata aguardaria os últimos segundos do ano para ser finalizada, já que ele parece não dar trégua nas surpresas. 35 diplomatas russos terão que fazer novos planos para o Réveillon, visto que foram todos expulsos dos EUA por Obama. Putin disse que não irá se rebaixar a “uma diplomacia de cozinha” e que irá aguardar a política adotada pelo presidente eleito Trump. Essa bronca pode ficar para 2017.

Falando em Trump, este pode ser considerado o homem do ano. Alimentou as notícias de todos os jornais do mundo durante o ano e levou a maior eleição do planeta. Sua relação com Putin guiará a política mundial nos próximos anos.

Na América Latina, os eventos mais importantes começaram com a nova política adotada por Macri na Argentina, cujo resultado trouxe o país de volta para o mercado financeiro internacional; as negociações do governo colombiano com as Farc; a crise na Venezuela agravada e a tentativa da oposição de derrubar o governo Maduro; e a efetivação do Impeachment de Dilma Rousseff no Brasil.

Os mercados emergentes iniciaram o ano muito afetados pela baixa no preço das commodities e a alta do dólar. Este ano, um efeito contrário de intensidade mais leve aliviou a situação desses países. O dólar caiu 17,79% no ano, diminuindo as forças inflacionárias; o petróleo e o minério de ferro, duas das mais importantes commodities do Brasil, subiram 49,59% e 90,11% respectivamente, contribuindo para a subida do Ibovespa de 38,94% no ano.

Alguns eventos que ameaçaram abalar o mundo das finanças: Brexit, Trump e o referendo italiano, até agora abalaram apenas a confiança nos institutos de pesquisa e mídia mainstream. Por trás de toda a volatilidade nos mercados este ano, a figura dos bancos centrais. Nenhum problema foi maior que a máquina de impressão de dinheiro e, a cada abalo, bilhões são injetados na economia. Este sim é o maior fator de risco mundial. Mais que qualquer outro evento, deve-se observar em 2017 se a maior bolha de todos os tempos irá estourar ou continuará a crescer.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica