Reino Unido se prepara para votar

Sem comentários Rudá Sudário

O Partido Conservador conquistou a maioria absoluta dos assentos no parlamento nas eleições gerais de 2015 no Reino Unido – David Cameron foi reeleito primeiro-ministro. Durante a campanha – pressionado pelo partido – prometeu lançar um referendo sobre a questão da permanência do Reino Unido na União Européia, mesmo sendo pessoalmente contra a saída do bloco: “É hora de dar voz ao povo britânico. É hora de colocar a questão européia na política britânica”.

O referendo, que está sendo chamado de “Brexit” (combinando as palavras Britain e exit), será votado em exatamente em uma semana, no dia 23 de junho. Nos últimos dias, os mercados, apresentando sinais de turbulência, começaram a precificar uma possível saída do Reino Unido do bloco. “Todos vimos as eleições dos EUA, eleições gerais do Reino Unido, tivemos o referendo escocês, o colapso do Lehman e QE (Quantitative Easing), mas esse é de longe o maior evento de risco que já se apresentou ao Reino Unido” disse Chris Huddleston, chefe de vendas para o mercado monetário do banco Investec.

Aqueles que querem a saída do bloco acreditam que a UE impõe uma alta burocracia sobre os negócios e cobra bilhões de libras em taxas anuais, do qual se obtém pouco retorno. Querem ter total autonomia para decidir o que for do próprio interesse, tendo controle de sua fronteira e sobre quem entra e sai do seu território. Esse grupo intitulado oficialmente “Vote Leave” arrecadou um pouco menos de 3 milhões de libras.

O grupo chamado “Britain Stronger in Europe” faz campanha para a permanência do Reino Unido na UE. Com apoio de grandes grupos financeiros e políticos, já arrecadou quase 7 milhões de libras. Eles acreditam que sendo parte do bloco o Reino Unido ganha grandes facilidades comerciais e o fluxo de imigrantes mantém o mercado de trabalho aquecido, além de que permanecer em um bloco com outros 28 países aumenta o nível de segurança de todos.

George Soros, um dos maiores investidores de todos os tempos, famoso por fazer apostas corretas avaliando o futuro dos mercados mundiais, acredita que, somado aos problemas da Grécia e da crise migratória, um potencial Brexit poderia causar o colapso da UE.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica