Raghuram Rajan anuncia saída do banco central da Índia

Sem comentários Rudá Sudário

A decisão do presidente do Reserve Bank of India (RBI) de deixar o cargo no fim de seu primeiro mandato em setembro deste ano, trouxe preocupação quanto ao futuro do país, atual motor do crescimento mundial. Somado a desaceleração da China, ao agora efetivado Brexit, possível eleição de Trump, e aumento dos juros pelo Federal Reserve, o mercado mundial tende a entrar em momentos turbulentos.

Raghuram Rajan é tido por muitos como o melhor banqueiro central do mundo. Ex economista chefe do FMI, conseguiu controlar a inflação e estabilizar a taxa de câmbio. Ao assumir o cargo em setembro de 2013, a Índia enfrentava uma grave crise. A inflação beirava os dois dígitos, o rupee desvalorizava 16,6% em relação ao ano anterior e o PIB caía a cada trimestre. Em 2014 o Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, chegou ao poder prometendo gerar crescimento, emprego e atrair o investimento estrangeiro.

Rajan havia apostado agressivamente em uma alta taxa de juros para enfrentar a crescente inflação (depois de controlada, passou a reduzí-la), iniciando o conflito com os conservadores do BJP, que queriam uma diminuição das taxas de juros para animar a economia. O líder do partido, Subramanian Swamy, pediu a demissão de Rajan, acusado por ele de quebrar a indústria e aumentar o desemprego com sua política de juros altos.

Também foi alvo de membros do governo ao criticar o que chamou “capitalismo de compadrio”. “Talvez o sistema tolere a corrupção porque o político esperto se torna eficiente em fazer as rodas da burocracia rangerem, embora lentamente, em favor de seus eleitores”, declarou em um discurso em 2014. Uma das grandes mudanças que realizou foi a limpeza dos balanços dos bancos estatais, recheados de empréstimos ruins feitos para beneficiar empresas próximas da classe política.

Sua saída gera o medo do crescimento da influência do governo na política monetária, tida como eficiente quando é realizada independentemente. Será o primeiro presidente do RBI desde 1992 a servir um mandato por menos de cinco anos. Voltará para a academia, como membro da Universidade de Chicago.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica