Para ler: Justiça

Sem comentários Rudá Sudário

“A Philip Morris, uma companhia de tabaco, tem ampla atuação na República Tcheca, onde o tabagismo continua popular e socialmente aceitável. Preocupado com os crescentes custos dos cuidados médicos em consequência do fumo, o governo tcheco pensou, recentemente, em aumentar a taxação do cigarro. Na esperança de conter o aumento dos impostos, a Philip Morris encomendou uma análise do custo-benefício dos efeitos do tabagismo no orçamento do país. O estudo descobriu que o governo efetivamente lucra mais do que perde com o consumo de cigarros pela população. O motivo: embora os fumantes, em vida, imponham altos custos médicos ao orçamento, eles morrem cedo e, assim, poupam o governo de consideráveis somas em tratamentos de saúde, pensões e abrigo para os idosos. De acordo com o estudo, uma vez levados em conta os “efeitos positivos” do tabagismo – incluindo a receita com os impostos e a economia com a morte prematura dos fumantes -, o lucro líquido para o tesouro é de 147 milhões de dólares por ano”.

Michael J. Sandel, professor do curso “Justice” – do qual o livro derivou – na Universidade de Harvard, utiliza-se de histórias como essa para discorrer sobre “o que é fazer a coisa certa”.

É o livro mais importante a ser lido pelo brasileiro no momento atual, de conflitos políticos, pois mostra como diferentes posicionamentos podem ser tratados de forma sensata, na busca de uma melhor forma de construir a sociedade. No capítulo 2 há uma citação interessante do filósofo John Stuart Mill: “É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito; é melhor ser Sócrates insatisfeito do que um tolo satisfeito. E, se o tolo ou o porco tiverem uma opinião diferente, é porque eles só conhecem o próprio lado da questão”.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica