Para ler: Chatô, o Rei do Brasil

Sem comentários Rudá Sudário

A melhor biografia do Brasil. Fernando Morais conta em detalhes a vida do “Chatô”, um dos homens mais poderosos do Brasil no início do século XX. Dono do maior conglomerado de mídia da América Latina, o Diários Associados, usou como ninguém o poder que tinha em benefício próprio (quase nunca eticamente).

“A moda na imprensa brasileira na virada do século não era a notícia, mas a polêmica. (…) Quem tivesse planos de brilhar, que preparasse a pena e arranjasse alguém para combater. (…) E quanto mais notável fosse a vítima da polêmica, tanto maior seria o prestígio do polemista”. Iniciou suas primeiras polêmicas ainda com 17 anos, lançando artigos a partir de jornais de Pernambuco. Após sua primeira vitória, disse ao amigo Pedro Paranhos: “Uma boa polêmica tem que ser travada no Sul, ou não terá repercussão nacional. (…) Vou temperar o aço do meu florete e ficar em guarda, porque não tarda muito e o inimigo aparece”.

Atingiu o sucesso, de inimigo em inimigo. Em uma de suas brigas com Rui Barbosa, conhecido por sua erudição e linguajar rebuscado, escreveu sobre sua obra literária: “…um dos mais notáveis escritochatôres estrangeiros do nosso atual idioma. Leio-o de dicionário em punho”. Com Francisco Matarazzo Jr., filho do homem mais rico do Brasil, a briga foi menos suave. Quando o conde mandou-o parar com as agressões à sua família nos jornais, ou ele teria que “resolver a questão à moda napolitana: pé no peito e navalha na garganta”, Chateaubriand respondeu: “Responderei com métodos paraibanos. A diferença é que em Catolé do Rocha não usamos navalha, mas peixeira
. E, em vez de cortar garganta, cortamos mais embaixo, em partes mais sensíveis”.

Atingiu o sucesso empresarial e financeiro. Foi professor, advogado, senador e embaixador. Realizou a Campanha Nacional de Aviação, inaugurando diversos aeroclubes ao redor do Brasil. Fundou o MASP. No fim de sua vida foi acometido de uma trágica trombose que o deixou paraplégico e incapaz de falar. Conseguia ainda escrever, e durante anos neste estado teve tempo de refletir sobre a vida e fazer as pazes com antigos inimigos. Foi só o que parou o paraibano Assis Chateaubriand.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica