OPEP enfraquecida

Sem comentários Rudá Sudário

O mercado entrou em pânico no início dos anos 70 quando países do Oriente Médio embargaram a venda de petróleo para a Dinamarca, Holanda e EUA, em represália ao apoio à Israel na Guerra do Yom Kipur. Seguiu-se um elevado aumento no preço do petróleo e os EUA, que já estavam em crise devido a Guerra do Vietnã, se viram numa severa crise energética. Deste momento em diante, os EUA proibiram a exportação de petróleo de seu território. Esta proibição durou até dezembro de 2015.

Em janeiro de 2016, o petroleiro Theo T desembarca no porto de Fos na França vindo do Texas. É o primeiro petroleiro a viajar dos EUA para a Europa desde o embargo dos anos 70. Sinal dos novos tempos com os EUA assumindo novamente o protagonismo na exploração de petróleo com as novas tecnologias de exploração. Reservas gigantes são agora passíveis de exploração também no Canadá, com a exploração das areais betuminosas, e no Brasil com o pré-sal. A OPEP parece perder assim seu poder de cartel.

Devido ao tamanho de sua produção, a OPEP tem o poder de controlar a oferta da commodity. Visto que seu custo de produção é imensamente menor que essas novas reservas dependentes de tecnologia, eles resolveram não cortar a produção com o intuito de tirar esses produtores do negócio. O que a OPEP não esperava era que houvesse também uma queda drástica na demanda por petróleo. Historicamente, um dólar elevado tem sido responsável pela queda no preço das commodities. Isso está ocorrendo agora, com o dólar se valorizando perante várias moedas ao redor do mundo. Somado a isso, os mercados mundiais começam a apresentar sinais de recessão, liderados dessa vez pela queda no crescimento chinês.

Países produtores agora seguem sem unidade na busca do preço ideal. Arábia Saudita, Venezuela, Rússia e Qatar concordam em congelar a produção. Irã pretende aumentá-la para recuperar a participação perdida devido as sanções internacionais enfrentadas anteriormente. Hoje o petróleo Brent já cai mais de 3% com o anúncio de um alto funcionário da Arábia Saudita de que um acordo em relação ao congelamento da produção só deverá ser feito se por unanimidade por todos os países membros da OPEP em Doha no dia 17 de abril.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica