O maior filme de todos os tempos

Sem comentários Rudá Sudário

Em uma noite de domingo, 30 de outubro de 1938, os ouvintes americanos que sintonizaram tardiamente a transmissão do programa The Mercury Theater on the Air (perdendo a informação no começo da transmissão de que se tratava de uma adaptação da obra A Guerra dos Mundos de H. G. Wells) na CBS ouviram algo inimaginável, uma invasão marciana na pequena cidade de Grover’s Mill, Nova Jersey. A transmissão que era na verdade uma peça teatral engendrada pelo ainda desconhecido Orson Welles causou pânico em diversas cidades dos EUA ao fazer com que os ouvintes achassem se tratar de uma verdadeira reportagem jornalística. Esse episódio se tornou a maior lenda do rádio no século XX.

Alçado a fama e tido como garoto prodígio, Orson Welles começou a ser cortejado por Hollywood. Assinou o melhor contrato da história de Hollywood com a RKO. Liberdade criativa para dirigir, produzir, atuar, escrever o roteiro, e ainda com uma participação nos lucros. Assim surgiu a obra tida por muitos como o maior filme da história do cinema, Cidadão Kane.

Na época de lançamento, porém, maior que o filme foi a briga em torno dele. Acusado de se basear na vida do magnata da mídia William Randolph Hearst – por 4 décadas um dos homens mais poderosos dos EUA – Orson Welles se viu enfrentando o poder narrado no filme na pele de seu personagem Charles Foster Kane. Hearst proibiu qualquer menção ao filme em suas dezenas de jornais, e tentou barrar seu lançamento de todas as formas.

O filme narra a vida do magnata da imprensa Charles Foster Kane, desde sua infância até depois de sua morte. Ao morrer ele diz a palavra mais enigmática da história do cinema, “Rosebud”, e um repórter, a partir dela, busca informações de sua vida em cada pessoa importante na vida de Kane, para descobrir o significado desta palavra. Para finalizar esse hiperbólico artigo não poderia deixar de citar o hiperbólico candidato Donald Trump. No seu livro Como Chegar Lá, ele diz “meu filme favorito de todos os tempos é Cidadão Kane”.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica