Lira turca em queda livre

Sem comentários Rudá Sudário

Nas primeiras horas de 2017, um ataque terrorista matou 39 pessoas em uma boate na Turquia. 2016 já havia começado mal com o país resolvendo questões diplomáticas após a derrubada de um avião russo e em julho a tentativa de um golpe de estado foi o gatilho para uma turbulência econômica que parece estar só começando. Para enfrentar esses problemas o presidente Erdogan manobra para aumentar seus poderes gerando preocupações políticas que já custaram o grau de investimento pela agência Moody`s.

A insegurança fez o turismo diminuir 40% desde 2015. O capital estrangeiro está em debandada. A lira turca derretendo: mais de 9% de queda este ano em relação ao dólar; 25% de queda em 12 meses. Enquanto isso uma queda de braço entre o presidente Erdogan – que não quer comprometer o crescimento do país – e o Banco Central, impede uma elevação maior da taxa de juros, remédio típico para tentar conter a desvalorização de uma moeda. “Nós queremos cortar a taxa de juros no longo prazo, assim as pessoas irão aumentar suas rendas pelo trabalho, não pelo juros”, disse Erdogan em 2011.

Foi nessa época que a Turquia, se beneficiou da conjuntura econômica mundial. Após a crise de 2008, a China liderou um crescimento econômico cujo resultado foi um boom no preço das commodities. A queda nos juros americanos (assim como na Europa e Japão) e programas de compra de títulos pelo FED criaram uma liquidez sem precedentes nos mercados internacionais, cujo resultado foi a entrada de capital em massa nos países emergentes, com a promessa de altos retornos. Toda essa conjuntura permitiu a Turquia reduzir os juros e expandir em larga escala o crédito. Assim começou a versão turca de almoço grátis.

Hoje com o mercado internacional na direção inversa, bastou a atual turbulência no país para os investidores começarem a ir embora. A fuga de capitais está derrubando a moeda turca e gerando uma inflação cada vez mais alta. As empresas, altamente endividadas em moeda estrangeira, começam a ter problemas para pagar seus empréstimos. Tempos difíceis para a Turquia.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica