La La Land entrará para a história do cinema

1 comentário Rudá Sudário

Um bar na calçada. Um casal entra. O pianista acaba seu último número e então inicia a canção, oferecida para ela. A música conta uma história, de um outro casal, mas ela ainda era a protagonista. O que houve em Paris?

“De todos os bares, de todas as cidades, no mundo inteiro, ela tinha que entrar justamente no meu”. Casablanca contou uma das melhores histórias do cinema. 75 anos depois, somos apresentados a La La Land.

Mia trabalha numa cafeteria nos estúdios da Warner e possui um pôster gigantesco de Ingrid Bergman ao lado de sua cama. Sonha ser atriz.

Sebastian, apaixonado por um jazz já esquecido, sonha abrir um clube onde tocará apenas à moda antiga. Em sua casa ele coleciona itens que rememoram o glorioso passado, como um banquinho – que ninguém pode sentar – que já foi utilizado por Hoagy Carmichael, compositor da eterna Stardust, uma música de amor perdido sobre uma música de amor. Stardust é provavelmente a inspiração para esta obra-prima musical composta por Justin Hurwitz.

No meio do filme, Sebastian é questionado: “Como você vai ser um revolucionário sendo tão tradicionalista? Você se agarra ao passado. Mas o jazz é sobre o futuro”. O diretor responde com La La Land. O roteiro de seu musical, originalmente hollywoodiano, estava engavetado desde 2010. A busca dos personagens é o próprio caminho de Damien Chazelle para tornar possível uma obra que, como dito por David Sexton do Evening Standard: “não fazem mais filmes como esse”. Além de conseguir, foi indicado a 7 Globos de Ouro e venceu todos. Um recorde.

Assistir a La La Land é entrar para a história junto com o filme, algo como ir para o cinema assistir um tal de Casablanca em 1942. O diretor poderia ter apenas avisado, como fez Charlie Chaplin no início de O Garoto: “um filme com um sorriso – e talvez uma lágrima”.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica

  • Amanda Pahim

    Resenha fantástica!