Esta pode ser uma geração perdida

Sem comentários Rudá Sudário

A Geração Y entrou no mercado de trabalho justamente no meio de uma das maiores crises econômicas do mundo. No caso dos EUA, muitos haviam acabado de se formar com imensas dívidas estudantis, na esperança de pagá-las ao entrar em um mercado de trabalho que não estava contratando. A falta de dinheiro dos jovens criou a teoria que nessa geração não mais interessava possuir bens como carros e casa própria, sonhos de consumo de gerações anteriores. Com a recuperação econômica e o crédito barato, os millennials americanos, embora tardiamente, conseguiram empregos e entraram no mercado consumidor, colocando a teoria abaixo.

Apesar da recuperação econômica no país, segundo um estudo dos economistas Michael D. Carr e Emily E. Wiemers, da Universidade de Massachusetts, está cada vez mais difícil subir na carreira nos EUA. Eles citam um estudo do economista David Autor, cuja conclusão é a de que empregos no topo e na base da escala de pagamentos estão aumentando enquanto diminuem os do meio, travando o caminho para que os que iniciaram a carreira recentemente possam subir os degraus até os níveis mais altos. Os jovens conseguem empregos, porém, ficam estagnados na carreira.

Segundo a Resolution Foundation, “think tank” cuja missão é “melhorar o padrão de vida das pessoas de baixa à média renda na Grã-Bretanha”, em um reporte publicado essa semana, “em contraste com a promessa tida como garantida, de que cada geração fará melhor que a última”, a Geração Y poderá ser a primeira a ganhar menos ao longo da vida que a geração anterior.

A situação vivida pelos EUA alguns anos atrás, parece estar se desenvolvendo hoje com a crise no Brasil. O desemprego aumentando principalmente para os mais jovens, a inflação e os juros tornando cada vez mais difícil adquirir um carro ou uma casa própria e o decrescimento econômico tornando cada vez mais difícil a subida na carreira. Se o Brasil não endireitar sua economia, podemos ter uma geração economicamente perdida.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica