Crise na Venezuela

Sem comentários Rudá Sudário

Henrique Caprilles, líder da oposição e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais da Venezuela por mínima desvantagem, declarou esses dias “A Venezuela é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento”.

O petróleo é responsável por mais de 90% das exportações da Venezuela, cujas reservas são também as maiores do mundo. Somado a ingerência do governo socialista, a recente quebra no preço da commodity gerou uma perigosa crise no país. Quedas de energia são frequentes, assim como a oferta de água, alimentos e remédios. A inflação, mensurada pelo economista Steve Hanke em torno de 284%, já é a maior do mundo. Em 2014, ano em que os preços do petróleo começaram a cair drasticamente, protestos explodiram no país resultando na morte de 43 pessoas.

Capitalizando em cima do descontentamento popular em torno da economia, a oposição ganhou o controle da Assembléia Nacional nas eleições de dezembro do ano passado. Com tendência governista, a Suprema Corte ficou no papel de derrubar as medidas aprovadas no Legislativo. A aprovação popular do presidente Nicolás Maduro já caiu para menos de 27% em março deste ano.

No meio da guerra dos poderes, a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) entregou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) 1,8 milhão de assinaturas, quando apenas 200 mil eram necessárias para iniciar a solicitação do referendo revogatório que pede a interrupção do governo do presidente Maduro. O processo exige que o CNE avalize as assinaturas, dando prosseguimento a segunda etapa, que consiste no recolhimento de 4 milhões de assinaturas para uma nova análise. Após essa segunda etapa, a revogação do mandato se daria caso a quantidade de eleitores votando por ela superasse os 7,5 milhões de votos obtidos por Maduro na eleição. Caso a destituição ocorra até 10 de janeiro de 2017, novas eleições serão realizadas. Depois disso, o vice-presidente assumiria o cargo. Enquanto a oposição corre contra o tempo, o CNE atrasa o processo de análise, ultrapassando o prazo estipulado por lei, alegando que a quantidade de assinaturas foi muito maior que o exigido.

No dia 11 de maio, Dilma Rousseff é afastada da presidência do Brasil. Dias depois Maduro decreta por 60 dias o “Estado de Exceção e Emergência Econômica”, dando a si mesmo poderes para, segundo ele, proteger o país de ameaças externas a segurança nacional e evitar um golpe de Estado, tal qual, segundo ele, foi realizado no Brasil. Segundo Maduro, os Estados Unidos estão por trás de uma manobra para “acabar com as correntes progressistas na América Latina”. A Assembléia, no entanto, rejeitou o decreto. As Forças Armadas dão sinais de que irão cumpri-lo. Ontem, manifestantes encheram as ruas de Caracas para pressionar o CNE a fazer a contagem das assinaturas. Maduro reagiu ameaçando aumentar o estado de emergência para seu nível mais elevado. Enquanto isso, o relógio continua marcando…

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica