Crise financeira à vista

Sem comentários Rudá Sudário

Após oito anos de “free money” ofertado pelos bancos centrais para remediar os efeitos da crise de 2008, os mercados mundiais se encontram à beira de mais uma crise financeira de graves proporções. O site Money Morning listou alguns sinais de uma bolha financeira prestes a estourar: ações e mercados supervalorizados (em agosto os três índices das bolsas americanas atingiram a máxima histórica ao mesmo tempo no mesmo dia: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq), juros negativos ou próximo a 0 em vários países, crescimento global desacelerado e resultados econômicos fracos.

Enquanto a festa acontecia nos países desenvolvidos os países emergentes sofriam com a desvalorização de suas 14650361_368659856798872_3552768472745326382_nmoedas, inflação e queda dos preços das commodities. Este ano, porém, a situação parece ter melhorado para eles. O jornal americano Barron`s publicou essa semana alguns motivos para tal, segundo Murat Ulgen, chefe de pesquisa para os mercados emergentes do HSBC: estabilização da economia asiática, alguns governos realizando estímulos fiscais, estabilização dos estoques, controle dos déficits fiscais e inflação caindo. Segundo o jornal, o fluxo de capitais para os países emergentes são os maiores desde 2013 (reflexo da busca dos investidores internacionais por retornos já não encontrado no mundo desenvolvido), fazendo com tenham apresentado a melhor performance do mercado este ano (o Brasil em primeiro lugar com aumento de 60% este ano).

O risco, porém, é que tenham chegado tarde demais à festa. Nunca o mercado esteve tão frágil com tantos eventos passíveis de estourar uma crise mundial: Guerra no Oriente Médio, crise na China, resultado das eleições e/ou aumento de juros nos EUA, problemas na Zona do Euro e/ou bancos europeus… Dado o risco inerente aos mercados emergentes, quando a bolha estourar os últimos a entrarem na festa serão os primeiros a sair.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica