Austrália pode estar próxima de uma recessão

Sem comentários Rudá Sudário

No dia 01/07 a Austrália completou 25 anos de crescimento sem recessão, um recorde invejável, inferior apenas ao recorde da Holanda na era moderna. Após a descoberta de petróleo no Mar do Norte, a Holanda atingiu a marca de 26 anos de crescimento consecutivos, sendo parado apenas pela crise mundial de 2008. Para a Austrália, a crise não chegou nem a ser uma marolinha.

O sucesso australiano teve início no governo do então primeiro-ministro Bob Hawke (1983-1991). Adotando uma política econômica flexível com a redução de tarifas e a desregulamentação do mercado de trabalho e do sistema financeiro. O banco central também cumpriu sua função, mantendo uma inflação de 2% a 3% ao ano, com uma política monetária responsável impedindo que juros muito baixos inflassem os mercados. No governo do primeiro-ministro John Howard (1996-2007), o país fortaleceu-se com a geração de superávits orçamentários em 10 dos 11 anos de seu mandato. Além de uma gestão eficiente, a Austrália pôde se beneficiar da alta quantidade de recursos naturais do país e da proximidade geográfica com a Ásia, aproveitando como poucos o recente boom das commodities.

Hoje as coisas não estão assim tão favoráveis. As commodities despencaram, a China reduziu seu crescimento e o foco excessivo do país no mercado imobiliário aumentou muito o nível de endividamento doméstico. A dívida pública aumentou exageradamente acompanhando esforços do governo para escapar da crise de 2008. Ontem, a Standard & Poors, acompanhando avisos das outras agências de risco preocupadas com o orçamento australiano, colocou o rating do país em observação para possível rebaixamento (o que não ocorre desde 1986). Somado ao atual cenário, uma subida dos juros pode causar uma paralisação há tanto tempo esquecida na economia australiana. “Se tivermos um forte choque, interno ou externo, somado a um catalisador como o desemprego, então isso se transformará numa profunda recessão”, disse o economista Daniel Blake em uma análise do Morgan Stanley sobre a atual situação da Austrália. O recorde da Holanda talvez continue na ponta.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica