A filosofia em Watchmen

Sem comentários Rudá Sudário

“Quis custodiet ipsos custodes?”, perguntou o poeta romano Juvenal, nos primeiros séculos do primeiro milênio depois de Cristo, satirizando os homens da época que contratavam guardas para garantir a castidade de suas mulheres. “Quem vigia os vigilantes?”.

Watchmen foi lançada em quadrinhos entre 1986 e 1987, tornando-se um sucesso instantâneo de crítica e colocando por um momento a DC Comics na liderança de vendas, a frente de sua rival Marvel Comics. O filme foi lançado em 2009, com direção de Zack Snyder.

“O super-homem existe, e ele é americano”. O que aconteceria com o mundo, caso um super-herói com poderes supremos realmente existisse? No universo de Watchmen ele existe no papel do Dr. Manhattan, um cientista que adquiriu o poder de controlar a matéria e a energia após um acidente nuclear. Nesse mundo, em 1985, o petróleo deixou de ser a principal fonte de energia, automóveis elétricos são comuns, os EUA venceram a Guerra do Vietnã e Richard Nixon é o presidente americano, cumprindo o seu terceiro mandato.

Antes do poderoso Dr. Manhattan (único na história com super-poderes), entre as décadas de 30 e 40, um grupo de pessoas normais resolveram se fantasiar para combater o crime. Esses vigilantes se deram o nome de Minutemen.

Mas quem vigia os vigilantes? Em torno dessa questão a população se revolta contra os “Combatentes do Crime” mascarados, enquanto os policiais entram em greve com a ameaça à segurança de seus empregos. Em 1977 o governo promulga a Lei Keene, tornando ilegal a atividade dos combatentes mascarados. O que faz um super-herói aposentado?

Nesse pano de fundo se desenrola a história mais sofisticada do mundo dos super-heróis. Problemas psicológicos, sociológicos, políticos e filosóficos recheiam a trama. O final coloca as ideologias morais da sociedade em debate. É justo sacrificar uma minoria pelo bem da maioria? O que vale mais, a verdade ou a paz mundial? O filme é um debate entre Kant e Bentham, ao qual você assiste comendo pipoca.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica