A Dama de Ferro

Sem comentários Rudá Sudário

No final dos anos 70 o Reino Unido estava em ruínas. Quebra da bolsa de valores, crise bancária, e um humilhante pedido de empréstimo ao FMI. Um jornal britânico dando as boas vindas ao novo ano de 1977 disse que o país se ressentia de ser pobre, mas que não estava preparado para fazer o esforço necessário para ser rico. Impostos crescentes, inflação nas alturas… O país que fora o império mais poderoso do século passado, era agora conhecido como “o homem doente da europa”. 

Em 1944 foi publicado o livro O Caminho da Servidão do economista austríaco Friedrich August von Hayek, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 1974. Neste livro, Hayek alerta para o perigo que o intervencionismo estatal traz para a liberdade dos indivíduos aproximando cada vez mais o Estado da tirania. Uma estudante da Universidade de Oxford acreditou com a leitura do livro ter encontrado a filosofia político-econômica que levaria o país ao progresso. A liberdade econômica era uma forma de atingir aquilo que ela queria: o renascimento do Reino Unido. Como ela disse certa vez “economia é o método, o objetivo é mudar a alma”. Maior liberdade econômica iria permitir que a criatividade e o empreendedorismo, sufocado pela política neo-keynesiana, voltasse a guiar o crescimento.

No dia 4 de Maio de 1979, Margaret Thatcher, a estudante de Oxford leitora de Hayek tomou posse na casa de número 10 na Downing Street se tornando a primeira e única primeira-ministra britânica. Hayek, que fazia aniversário dali a quatro dias enviou-lhe uma carta “o melhor presente no meu octogésimo aniversário que alguém poderia ter me dado”. Em sua primeira entrevista televisionada recitou São Francisco de Assis “onde houver discórdia, que eu leve a união, onde houver erro, que eu leve a verdade, onde existam dúvidas que eu leve a fé, e onde houver desespero, que eu leve a esperança”. A Dama de Ferro deixou o cargo no dia 28 de Novembro de 1990 com o Reino Unido como a grande economia da Europa, cumprido aquilo que ela havia dito em 1975: “Eu tenho a habilidade feminina de pegar um trabalho e insistir nele quando todos os outros desistem e vão embora”.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica