A articulação dos caciques

Sem comentários Rudá Sudário

O vazamento dos áudios do ex-presidente da Transpetro com os caciques do PMDB, Jucá, Renan e Sarney, revelam, ou uma estratégia de defesa de Sérgio Machado já em andamento, ou um plano B para o caso de seus amigos não conseguirem esquematizar para atrapalhar as investigações que poderiam levá-lo a Torre de Londres para tortura.

Se, como alguns dizem, não há crime nenhum nos diálogos expostos ou novidade em relação a boa índole dos políticos envolvidos, há sim uma aula de articulação política, principalmente na figura do senador Romero Jucá, para unir quase todos os interesses possíveis do Brasil em torno de uma agenda.

O primeiro passo foi aproveitar a tremenda incompetência do governo do PT, elegendo Dilma Rousseff como o inimigo comum a ser extirpado.

Aqueles que tanto acusam o pobre de se vender por uma dentadura, foram os primeiros a comprarem a idéia de uma Era Temer, que apoiada no livrinho e na cartilha da Ponte Para o Futuro livraria o país da corrupção e da ineficiência econômica, marcas do governo petista. Enquanto as ruas se mobilizavam, os políticos costuravam acordos para uma solução “A La Brasil”, como eles sempre conseguiram.

O PSDB, que acreditava que a melhor solução era aguardar uma cassação da chapa Michel/Dilma, para que no advento de novas eleições pudessem se candidatar praticamente sem adversário, foram logo convencidos pela conversa racional de Jucá. Aécio achava que ia ganhar eleição fazendo reforma na previdência? Como ele ia ganhar uma eleição falando em reduzir a aposentadoria das pessoas? A solução seria apenas um governo que fizesse o que fosse necessário, sem preocupações de popularidade visando as eleições. Michel Temer era a única solução.

Seria bom demais se a motivação fosse essa. Mas o que ficou revelado nos áudios foram articulações para salvar a classe política corrupta das consequências de suas falcatruas. Ou isso, ou “Do Congresso, se sobrar cinco ou seis, é muito. Governador, nenhum”. Era bom demais para ser verdade, porém, o argumento de Jucá foi eficaz por ser verdadeiro. O governo de coalizão de Temer, com exército, STF, imprensa e empresários, tudo junto, não é a solução perfeita, mas é a solução possível. Resta a população manter as camisas da CBF guardadas para serem usadas cada vez que os políticos tentem usar o poder para se safar da Justiça.

Não devemos insistir na instabilidade política. O melhor agora é exigir que realizem as medidas necessárias para salvar o país da crise econômica, aproveitando que conseguiram fazer deputado trabalhar final de semana e madrugada. A crise política será solucionada com o tempo, enquanto as investigações limpam um a um os grandes corruptos. Será uma articulação perfeita, se sairmos da crise antes que o governo Temer desmorone, político por político, como um castelo de cartas.

Rudá Sudário

Editor-chefe do Tendência Econômica